FRENTE BRASIL POPULAR > Imprensa > Artigos > MUDAR A POLÍTICA PARA RESISTIR E VENCER

Nos últimos dias, tem sido crescente a mobilização dos setores democráticos contra o golpe: apoios internacionais e de organizações multilaterais, artistas, estudantes, juristas e até mesmo de setores do judiciário, ministério público e dos meios de comunicação que ainda resistem.

As grandes manifestações do dia 18 de março foram sucedidas por centenas de atos, reuniões, manifestos e criação de comitês em defesa da democracia no país. É preciso ampliar, interiorizar e capilarizar essas iniciativas e convergi-las para manifestações ainda maiores no próximo dia 31 nos estados e dando força nacional ao ato de Brasília, centro da batalha legal e parlamentar contra o impeachment.

Em geral, estas manifestações não são de apoio incondicional ou cheque em branco para o governo Dilma ou para o PT. São, assim como no segundo turno de outubro de 2014 e nas manifestações de dezembro de 2015, posicionamentos contra o que representa a oposição de direita e em defesa da legalidade democrática e da soberania popular no Brasil.

São posicionamentos também marcados por legítimas críticas e reivindicações por mudanças. Frente a isso, o governo tem que sinalizar para esse campo da sociedade que tem lhe sustentado a despeito de tantas capitulações na política econômica, incluídas as recentes medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo ministro da Fazenda, mas também em outras iniciativas como a lei antiterrorismo e a proposta de reforma da previdência.

Sem compromissos com um programa de natureza democrático-popular,  dificilmente as manifestações em defesa da democracia alcançarão massivamente os setores populares e a classe trabalhadora, inclusive em sua disposição de resistir com greves e paralisações contra o golpismo. E ao contrário do que alguns acreditam, não será "resolvendo" primeiro o problema político que resolveremos depois o problema econômico. A ampliação da base popular da resistência democrática é diretamente afetada pela defesa dos direitos sociais e por uma política econômica que melhore a vida do povo.

Para evitar uma mudança desse tipo, a direita busca acelerar o calendário do golpe. Cospe na cara do povo ao conduzir um processo de impeachment contra uma presidenta que não cometeu crime e pelas mãos de um corrupto de carteirinha como Eduardo Cunha. Dobrará a aposta nas ilegalidades da operação Lava Jato, como a que permite que um grampo telefônico ilegal entre Lula e Dilma seja divulgado enquanto esquemas de corrupção da oposição de direita sejam colocados sob sigilo.

Convergem para o propósito golpista estes setores do aparato judicial e policial do Estado, a oposição de direita, o oligopólio da mídia liderado pelas Organizações Globo e os interesses nacionais e internacionais do grande capital. Sobre estes últimos, as presenças de Arminio Fraga - representante de Wall Street no Brasil - e do senador das multinacionais do petróleo, José Serra, em almoço com Gilmar Mendes na véspera de sua decisão contrária à posse de Lula como ministro escancaram as digitais gringas no golpe. É essa gente que mais uma vez o povo brasileiro é chamado a derrotar.