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Somos apenas 40 para quem não quer enxergar a mobilização nacional contra o golpe

No domingo do dia 04 de setembro o mundo viu o lado de luta da nação brasileira ao presenciar protestos em inúmeras cidades do país

O descontentamento de uma sociedade traz como resultados articulações, movimentação em massa e protestos nas ruas. No domingo do dia 04 de setembro o mundo viu o lado de luta da nação brasileira ao presenciar protestos em inúmeras cidades do país. O povo foi às ruas gritar por seus direitos, exigir a saída de um governo federal que não o representa e clamar por Diretas Já. A política atual, implementada por meio de um golpe, não condiz com as necessidades de desenvolvimento social. Os protestos desta data teve a presença de centenas de milhares de pessoas, que mostraram não aceitar o desrespeito à Constituição que as classes dominantes querem impor sobre nossas vidas.

Confira as fotos das manifestações no Brasil:

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Desde o dia 31 de agosto o Brasil tem registrado o crescimento das articulações sociais contra a tomada de Michel Temer em relação à presidência da república, realizada por um golpe contra a Constituição do Brasil. A retirada da presidenta Dilma Rousseff de seu cargo, ocorrida sem provas e sem nenhum procedimento judicial para o fato, colocou diante de nossos olhos a estratégia de vencer - a qualquer preço -, o poder de governar um país que ainda é muito dividido e que precisa constantemente avaliar suas diferenças sociais. A tomada de Temer do principal cargo do país ocorreu sob uma sombra de mais de 90% impopularidade, acompanhada por uma comissão de políticos com processos judiciais e investigações de corrupções. Houve literalmente a troca de uma inocente por uma quadrilha orquestrada e de fala bonita.

Com a presidência nas mãos desses políticos, a grande mídia favorável ao movimento iniciou um processo de implementação de boas notícias sobre Temer e seus aliados, a fim de conseguir minar as acusações e tentar apagar seus atos. Já os políticos aliados tomaram como medida menosprezar o povo, com ironias e deboche aos atos sociais. Foi como disse o então ministro das relações exteriores, José Serra, que as manifestações “não são de verdade”. Assim como o presidente insiste em dizer que se trata “de 40 vândalos que quebram carros”.

Em uma resposta imediata às declarações dadas, os que eram 40 transformaram-se em mil e depois chegaram a mais de 100 mil cidadãos que invadiram a Avenida Paulista, em São Paulo, para calar o menosprezo desses políticos. A capital paulista teve um número expressivo de manifestantes, assim como em outras cidades do país, que juntas formaram uma corrente democrática e com um único objetivo: tirar do poder quem não representa o povo.

 

Nem tudo são flores

Apesar dos manifestos pacíficos ocorridos nas cidades, as forças de segurança deram suas mensagens de força e repressão. Assim como relatou a professora Cláudia Marques de Souza,”senti uma dor profunda na alma na hora que passei na rua Consolação (SP) e deparei com um exercito fortemente armado. Parece que voltamos a um passado ainda presente em nossas vidas”.

Na cidade de São Paulo, como exemplo, a Polícia Militar, a mando de Geraldo Alckmin, cercou os manifestantes no Largo da Batata e resolveu dispersar os presentes por meio de bombas e jatos d’água. Após o ocorrido, a polícia informou eum seu Twitter que “em manifestação inicialmente pacífica, vândalos atuam e obrigam PM a intervir com uso moderado da força / munição química", além de afirmar que houve vandalismo de Black Blocs na estação de Metrô próxima ao encontro. Mentira, não ocorreu nenhuma denúncia do Metrô e não houve nenhum registro de vandalismo. A atitude tomada pela PM paulista foi uma forma de transformar um ato pacífico em uma notícia factoide para a imprensa anuncie como protestos com vandalismo e crimes.

Além de São Paulo, Belém, Belo Horizonte e Rio de Janeiro registraram violência policial contra os manifestantes, que foram recebidos com balas de borrachas. Desde o início dos protestos em todo o Brasil, mais de 70 pessoas já foram presas e poderão ser processadas pelo estado. Agora, quem será processado em relação a estudante Deborah Fabri que perdeu a visão do seu olho esquerdo, provocado pelos estilhaços de uma bomba de efeito moral da polícia de São Paulo?

A última fase do processo de impeachment foi a votação no Senado, ocorrida no dia 31 de agosto, onde a presidenta Dilma perdeu seu mandato com 61 votos favoráveis e 20 contra. Mesmo com um crescimento de popularidade nos últimos meses e o desgosto do cidadão em relação a Temer e seus aliados ao tomar o poder, o pleito político comprovou que não está no Congresso para representar o povo. Foram 61 votos que venceram mais de 54 milhões. Como uma minoria que não faz parte de um Brasil verdadeiro pode ser mais importante que a maioria maciça para decidir o futuro de nosso estado democrático?

As ruas tornaram-se veias arteriais de protestos e anúncios de que não haverá trégua. Mesmo com o apoio ilimitado da grande mídia e das classes dominantes do país, o povo tem mostrado seu poder e a sua resistência contra o golpe político. Vale ressaltar principalmente que os manifestos não são a favor de Dilma, Lula, PT ou quem mais for. As reivindicações são para garantir a manutenção de nossa democracia, que viveu anos de obscuridade e repressão militar, onde milhares de pessoas foram mortas e até hoje muitas estão desaparecidas. A cor da legenda que o povo está defendendo não é azul, vermelha, amarela, preta ou verde. É a transparência, porque todos querem saber quais as decisões que estão sendo tomadas para o bem de uma nação e não para o favorecimento individual e contra trabalhadores.

Mesmo com o recado opressor de Michel Temer ao dizer que “não vai tolerar ser chamado de golpista”, a sociedade já respondeu que a luta é incansável e que a melhor solução para o Brasil no momento é a sua renúncia e a realização de diretas já, uma proposta oferecida pela presidenta Dilma. Próximas manifestações ocorrerão e a realização de uma greve geral já está sendo encaminhada, como a acordada entre os bancários.

O voto é a principal ferramenta e o único que dá o amplo direito de governar e representar o povo com lealdade. Caso contrário, trata-se de um golpe, e o povo, que não é 40 vândalos como debocham, estará nas ruas para acabar com esse crime à nossa Democracia.